quinta-feira, 18 de junho de 2009

AECUM - Da glória à inactividade

Depois de um grande esforço para ser criada, a associação passou à inactividade
Tudo começou em meados do ano lectivo 1998/1999. Houve uma festa de Carnaval realizada por duas alunas, e nessa altura começaram as questões de para onde ia o dinheiro das receitas da festa, de acordo com o relato anónimo de um ex - aluno da Universidade do Minho.

A partir desse momento os alunos cabo-verdianos da Universidade do Minho (U.M) sentiram a necessidade de criar uma associação de estudantes, que também incluía os alunos do pólo de Azurém, em Guimarães. Uma associação que servia os interesses dos alunos, que realizava festas com intuito de angariar fundos para ajudar aqueles que passavam por maiores dificuldades e convívios para estreitar as relações dos estudantes. Procurava que aqueles que chegavam como “caloiros” fossem bem recebidos, e ajudava os alunos a tentar superar as saudades da terra com a realização de semanas culturais e festas temáticas cabo-verdianas. Realizou diversas parcerias com entidades da U.M tendo em vista ajudar os alunos cabo-verdianos da academia minhota.

A iniciativa partiu de um aluno já experiente, Carlos Santos, jornalista na altura da Rádio de Cabo Verde, e que actualmente é director da mesma rádio. Contou com a colaboração de mais duas alunas, que sempre mostraram bastante interesse e empenho em trabalhar para criar a Associação de Estudantes Cabo-verdianos da Universidade do Minho (AECUM), segundo fonte que não quis ser identificada.
A partir desta data começaram a tentar reunir os alunos interessados em dar corpo à associação, um grupo que posteriormente seria o corpo directivo da AECUM.
Reuniram o grupo e batalharam de todas as formas, ultrapassando as diversas barreiras que vinham aparecendo no caminho. Passaram por todo um processo que qualquer grupo associativo legal tem de percorrer.

Já no ano 2000 nascia a Associação dos Estudantes Cabo-verdianos da Universidade do Minho (AECUM). O primeiro presidente, Carlos Santos, foi aquele que mais se empenhou para que houvesse uma associação que olhasse pelos interesses dos estudantes cabo-verdianos da UM.Cada direcção era eleita por um ano.
Traçaram vários projectos para o futuro. Era uma associação nova, mas com aspirações fortes. Um ano depois, Carlos Santos passou o testemunho, através de votos livres e democráticos, a um outro aluno, Hélio Benchimol. Depois das segundas eleições, era na mão deste aluno que estava o futuro da AECUM. Cabia a este novo grupo directivo levar avante os desígnios elaborados por Carlos Santos e também pôr em prática as suas novas ideias.
Um dos grandes projectos levados a cabo pelo grupo liderado pelo novo presidente foi a organização da festa de Carnaval desse ano. Em pouco tempo a cidade de Braga tornou-se uma referência para os estudantes cabo-verdianos em Portugal, na época festiva do Carnaval. A AECUM, aparentemente, já tinha ganho o seu espaço e o respeito de todos. Era definida por muitos dos seus membros como uma associação bem organizada, com boas iniciativas, apesar de ter uma curta existência.

Outra iniciativa em que AECUM participava, contribuindo com uma boa quantia em dinheiro, era a festa de finalistas dos estudantes cabo-verdianos da Universidade do Minho, que posteriormente passou a incluir todos os alunos dos PALOP. Nesta altura ponderava-se a realização do encontro nacional de estudantes cabo-verdianos em Portugal, no ano de 2003, um acontecimento que desde então passou a realizar-se todos os anos, na primeira semana do mês de Dezembro, em diferentes locais.
Depois de um ano de estagnação da AECUM, já no ano de 2003 a associação estava sob a direcção de Arlindo Tavares, considerado por muitos o melhor presidente da melhor direcção de sempre da AECUM. Um mérito merecido, pois nesse ano, nos dias 4, 5 e 6 de Dezembro, realizou-se o VIII Encontro de Estudantes Cabo-verdianos em Portugal, na cidade de Braga. Classificado por diversos estudantes cabo-verdianos espalhados por terras lusas como o “melhor encontro até então”, também a cidade dos arcebispos foi considerada a melhor para realizar este encontro de estudantes.
Mas o trabalho da direcção de Arlindo Tavares não foi apenas a realização de
festas. Como o próprio disse numa entrevista ao site SOPAFLA, no final do seu mandato (2004), “as festas eram os actos mais vistosos”. E acrescentava: “As festas e convívios são só o lado mais visível do nosso trabalho. Nós conseguimos criar contactos importantes a vários níveis, reforçámos as nossas relações com a reitoria da Universidade do Minho, bem como com os SASUM e a AAUM, que por várias vezes nos apoiaram. Conseguimos um alargamento de vagas para a realização de exames na época especial; criámos relações privilegiadas com o Consulado de Cabo Verde, que hoje nos tem como um exemplo no que respeita ao associativismo dos estudantes cabo-verdianos. Estabelecemos um protocolo informal com a AAUM que nos permitiu algum apoio a nível logístico e legal (relativamente ao número de contribuinte e à conta bancária); criámos um arquivo jornalístico que permite aos estudantes estarem a par da actualidade do nosso país de origem”.
Depois de um mandato de Arlindo Tavares considerado excelente, especulava-se que não ia aparecer um sucessor à altura, pois ninguém queria tamanha responsabilidade.

Em 2005 houve uma nova lista, liderada por Zilmar Lopes, aluno de Direito na UM, que concorreu sem oposição e foi eleito o novo presidente da associação. “A direcção de Zilmar Lopes fez o que lhe competia. Trabalhou para honrar a posição que tinha na AECUM. Mas a falta de coordenação do grupo, as estratégias para economizar, o fracasso na angariação de fundos levaram ao colapso financeiro da associação, que anteriormente estava numa situação económica invejável”, afirma uma fonte que preferiu não se identtificar.
O maior problema a partir daí foi encontrar um sucessor. Apareceram duas listas dispostas a tomar o rumo e guiar a AECUM, mas nunca se chegou a realizar uma Assembleia-geral para marcar uma data para as eleições do sucessor de Zilmar Lopes. Os antigos membros da AECUM responsabilizam os novos alunos que têm chegado à academia minhota pela falta de iniciativa e responsabilidade. Sem alguém que queira ser presidente, não há associação, pelo menos no activo. Desde o ano de 2006 que a AECUM se encontra paralisada e estagnada.

Actualmente, são muitos os que tentam erguer de novo este organismo, mas a reactivação da associação não tem passado do papel e está sem um reinício à vista.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Li com muita atenção este artigo e não poderia em tecer alguns comentários.
    Primeiro, queria manifestar a minha tristeza em ver a AECUM abandonada a sua sorte; Uma associação que serviu de referência a toda a comunidade bracarense na altura e a toda associação estudantil em Portugal.
    A AECUM já existia em termos estatutário, mas precisava de levantar voo em termos de projectos e actividades. A ideia de dinamizar esta associação surgiu dum encontro informal na casa de Carlos Santos em Nogueiró. Neste encontro, estava presente, eu, o Carlos Santos, o Gilson, o Laurindo, o Munaia e outros colegas e daí surgiu o projecto da AECUM, ficando eu no Conselho Fiscal, o Laurindo na Assembleia-geral e o Carlos Santos na Direcção. Avançamos então com a lista e erguemos a AECUM. Foi um ano de intenso trabalho e marcado também por algumas controversas. Neste ano realizou-se a 1ª semana académica dos estudantes cabo-verdianos na Universidade do Minho, a tradicional festa de Carnaval, que permitiu a AECUM se projectar no seio da comunidade estudantil em Portugal. O mandato do Carlos Santos foi marcado também por actividades culturais, académicas e desportivas.
    Terminado o mandato do nosso colega, assumi então os destinos da AECUM com uma equipa jovem, empenhada e com muita criatividade. Realizamos a tradicional festa de Carnaval, que foi sem dúvida a melhor festa de todos os tempos, na nova cantina que acabara de ser inaugurada. Foi um marco histórico! Depois, deu-se continuidade do projecto da direcção anterior com a realização da 2ª semana académica dos estudantes cabo-verdianos na Universidade do Minho; Criou-se nesta altura um grupo de teatro. Este mandato foi marcado também com a criação do Jornal Informativo da AECUM; Foi assinado um protocolo com o SDUM, passando os nossos jornais cabo-verdianos a serem colocados na Biblioteca da Universidade do Minho.
    Um feito histórico desta Direcção foi a realização do VI encontro de estudantes cabo-verdianos em Portugal, um projecto pioneiro em Braga que se traduziu num sucesso. A AECUM teve o seu momento de auge nesta altura, inclusive ganhou o prémio da melhor associação africana em Braga. Deixamos uma associação madura, com respeito e projecção a nível das outras associações e com uma sólida sustentabilidade financeira.
    Terminado o meu mandato, altura também que terminei meu curso, voltei para Cabo Verde e outros colegas assumiram o barco.
    É com muita pena que vejo esta associação nesse marasmo, com crise de iniciativa a todos os níveis.
    Eis o meu testemunho,
    Hélio Benchimol

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