sexta-feira, 19 de junho de 2009

Todos iguais, todos diferentes


Jamira Gomes, estudante cabo-verdiana da Universidade do Minho

Jamira Suema Monteiro Gomes nasceu a 27 de Março de 1985, em Cabo Verde. Natural da ilha de Santo Antão, muito cedo começou por se aventurar, juntamente com os pais e os irmãos, para outras partes do arquipélago, como Santiago e S. Vicente.

Depois de passar uma boa parte da sua infância na cidade da Praia, ilha de Santiago, aos sete anos foi para S. Vicente. “Ainda tenho fresco na memória o dia em que saí da cidade da Praia para ir para S. Vicente, lembro-me que eu e a minha irmã fomos de barco”, diz ela com um sorriso de nostalgia, acrescentando que o pai também viajou, mas de avião. Nesta ilha de “morabeza”, onde ainda mora o resto da sua família, ela viveu até aos 18anos. Por motivos académicos, emigrou para Portugal. Hoje estuda na Universidade do Minho, onde se licenciou em Educação. Actualmente frequenta o mestrado em Políticas Comunitárias e Cooperação Territorial.

De acordo com as suas declarações, quando chegou a Braga teve algumas dificuldades de integração. "Lembro-me de não fazer uma cadeira, isto porque a avaliação era a partir de um trabalho de grupo e eu não tinha um grupo", diz Jamira.
O espírito de solidariedade e a compaixão são virtudes que ela traz consigo desde a infância. Por isso gostaria muito de ser voluntária, explicando: “Um dos meus grandes sonhos é viajar pelo mundo e ajudar as pessoas que precisam”.
As crianças e jovens em risco também fazem parte das preocupações de Jamira Gomes. É por tudo isto que muitas das amigas, questionadas acerca da Jamira, a apelidam de “ Madre Teresa”. De acordo com Edna Cardoso, uma das suas melhores amigas, Jamira é simpática e altruísta.”Nunca nos deixa na mão, está sempre à procura de soluções para ajudar quem quer que seja”, acrescenta.

Um outro sonho é voltar a Cabo Verde e dar o seu contributo para o desenvolvimento e melhoramento do País, principalmente na área da Educação. “Sinto a obrigação de contribuir e, ainda mais, retribuir a Cabo Verde, estando grata pela possibilidade que me deu de ser a pessoa que sou agora”, clarifica.
Jamira reforça que o maior presente que poderia ter logo depois de terminar o mestrado seria um emprego. “Acho que é um desejo de todos os alunos conseguir um posto de trabalho, até posso dizer que é um sonho prioritário, neste momento”, acrescenta.

Durante os tempos livres, gosta de dar um bom passeio, aproveitar o sol. “Um bem precioso aqui em Braga”, comenta. Adora filmes de terror, embora lhe causem alguns pesadelos, mas mesmo assim este constitui o seu principal género da “Sétima Arte”. Cozinhar e uma boa prosa de conversa também são outros passatempos de Jamira Gomes. Obcecada pela limpeza e arrumação, muitas vezes as amigas acham-na um bocadinho chata.


André Fonseca, estudante angolano da U.M

André Fonseca nasceu em Angola, na cidade de Luanda, a 18 de Julho de 1985.
Com apenas 19 anos, deixou a capital Angolana para se mudar para Braga e estudar Direito na Universidade do Minho.
Apesar de morar na maior cidade de Angola ficou surpreendido com a “beleza e o encanto da cidade minhota”, confessa.

Em Luanda André tinha a vida normal de um jovem da sua idade. Estudava, e nos tempos livres jogava futebol com os amigos, ouvia música, via televisão e lia muito. “Gosto muito de ler”, referiu.

Quanto à sua adaptação na cidade de Braga, confessa que “ no inicio foi muito complicado”. Para o jovem os primeiros tempos fora os mais difíceis, pois as saudades de casa e da família eram muitas, mas “depois ambientei-me e correu tudo bem”, afirma.
É verdade, que no inicio os obstáculos como uma língua nova, uma cultura diferente e uma cidade desconhecida parecem obstáculos impossíveis de ultrapassar, mas com a ajuda dos colegas portugueses e angolanos a minha integração foi boa, ressalva o jovem.
Actualmente a frequentar o último ano do seu curso, tem boas perspectivas para o futuro. “O meu objectivo é voltar para Angola e dar o meu contributo ao país para se desenvolver e evoluir positivamente”, declara o jovem.

Gosta de Braga, gosta do curso de direito e considera que fez uma óptima opção em vir estudar para a cidade bracarense.“Estou já com algumas saudades dos bons tempos que passei aqui”, confessa.

Carlos Manuel Semedo de Brito, aluno moçambicano da Universidade do Minho

Carlos Manuel Semedo de Brito nasceu em Moçambique, na cidade de Maputo, no dia 9 de Setembro de 1986.
Aos 18 anos deixou a terra natal, tendo viajado para Portugal. Escolheu a cidade de Braga para estudar Administração Pública.
Quando chegou à “cidade dos arcebispos”, terra desconhecida e completamente diferente de Maputo, confessa que ficou muito contente."Nunca pensei que Braga fosse uma cidade tão linda", explica. Ainda de acordo com Carlos Brito, o facto de a cidade de Braga não ser muito conhecida e pertencer à região do Minho faz com que as pessoas em Moçambique pensem que é uma cidade “pacata, de agricultores e pastores".

Quando chegou à Universidade do Minho, diz que o tamanho desta instituição lhe causou um grande espanto. Acrescenta que não estava à espera de uma Universidade assim.
De acordo com o entrevistado, a sua integração foi muito fácil e boa. "Aqui a tecnologia é diferente, as pessoas são diferentes, mas os amigos que já tinha em Moçambique e que aqui encontrei ajudaram-me. Assim, não tive as dificuldades que certos colegas tiveram ", explica.

Carlos Brito afirma que o seu grande sonho ainda está por realizar, mas que 50% deste desejo já está concluído. "Acho que todos os africanos têm este desejo, este sonho de ir estudar para fora, ganhar experiências e conhecimentos, para depois tentar fazer evoluir a nossa terra", complementa.

Actualmente está prestes a concluir um mestrado em Administração Pública e pensa regressar á Moçambique logo que for possível.
Conclui recordando um episódio da altura em que chegou a Braga, e que nunca mais esquece. Esteve várias horas perdido, porque apanhou um autocarro errado, e quando deu por ele não sabia onde estava. "Que susto que apanhei!...", termina

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quinta-feira, 18 de junho de 2009

AECUM - Da glória à inactividade

Depois de um grande esforço para ser criada, a associação passou à inactividade
Tudo começou em meados do ano lectivo 1998/1999. Houve uma festa de Carnaval realizada por duas alunas, e nessa altura começaram as questões de para onde ia o dinheiro das receitas da festa, de acordo com o relato anónimo de um ex - aluno da Universidade do Minho.

A partir desse momento os alunos cabo-verdianos da Universidade do Minho (U.M) sentiram a necessidade de criar uma associação de estudantes, que também incluía os alunos do pólo de Azurém, em Guimarães. Uma associação que servia os interesses dos alunos, que realizava festas com intuito de angariar fundos para ajudar aqueles que passavam por maiores dificuldades e convívios para estreitar as relações dos estudantes. Procurava que aqueles que chegavam como “caloiros” fossem bem recebidos, e ajudava os alunos a tentar superar as saudades da terra com a realização de semanas culturais e festas temáticas cabo-verdianas. Realizou diversas parcerias com entidades da U.M tendo em vista ajudar os alunos cabo-verdianos da academia minhota.

A iniciativa partiu de um aluno já experiente, Carlos Santos, jornalista na altura da Rádio de Cabo Verde, e que actualmente é director da mesma rádio. Contou com a colaboração de mais duas alunas, que sempre mostraram bastante interesse e empenho em trabalhar para criar a Associação de Estudantes Cabo-verdianos da Universidade do Minho (AECUM), segundo fonte que não quis ser identificada.
A partir desta data começaram a tentar reunir os alunos interessados em dar corpo à associação, um grupo que posteriormente seria o corpo directivo da AECUM.
Reuniram o grupo e batalharam de todas as formas, ultrapassando as diversas barreiras que vinham aparecendo no caminho. Passaram por todo um processo que qualquer grupo associativo legal tem de percorrer.

Já no ano 2000 nascia a Associação dos Estudantes Cabo-verdianos da Universidade do Minho (AECUM). O primeiro presidente, Carlos Santos, foi aquele que mais se empenhou para que houvesse uma associação que olhasse pelos interesses dos estudantes cabo-verdianos da UM.Cada direcção era eleita por um ano.
Traçaram vários projectos para o futuro. Era uma associação nova, mas com aspirações fortes. Um ano depois, Carlos Santos passou o testemunho, através de votos livres e democráticos, a um outro aluno, Hélio Benchimol. Depois das segundas eleições, era na mão deste aluno que estava o futuro da AECUM. Cabia a este novo grupo directivo levar avante os desígnios elaborados por Carlos Santos e também pôr em prática as suas novas ideias.
Um dos grandes projectos levados a cabo pelo grupo liderado pelo novo presidente foi a organização da festa de Carnaval desse ano. Em pouco tempo a cidade de Braga tornou-se uma referência para os estudantes cabo-verdianos em Portugal, na época festiva do Carnaval. A AECUM, aparentemente, já tinha ganho o seu espaço e o respeito de todos. Era definida por muitos dos seus membros como uma associação bem organizada, com boas iniciativas, apesar de ter uma curta existência.

Outra iniciativa em que AECUM participava, contribuindo com uma boa quantia em dinheiro, era a festa de finalistas dos estudantes cabo-verdianos da Universidade do Minho, que posteriormente passou a incluir todos os alunos dos PALOP. Nesta altura ponderava-se a realização do encontro nacional de estudantes cabo-verdianos em Portugal, no ano de 2003, um acontecimento que desde então passou a realizar-se todos os anos, na primeira semana do mês de Dezembro, em diferentes locais.
Depois de um ano de estagnação da AECUM, já no ano de 2003 a associação estava sob a direcção de Arlindo Tavares, considerado por muitos o melhor presidente da melhor direcção de sempre da AECUM. Um mérito merecido, pois nesse ano, nos dias 4, 5 e 6 de Dezembro, realizou-se o VIII Encontro de Estudantes Cabo-verdianos em Portugal, na cidade de Braga. Classificado por diversos estudantes cabo-verdianos espalhados por terras lusas como o “melhor encontro até então”, também a cidade dos arcebispos foi considerada a melhor para realizar este encontro de estudantes.
Mas o trabalho da direcção de Arlindo Tavares não foi apenas a realização de
festas. Como o próprio disse numa entrevista ao site SOPAFLA, no final do seu mandato (2004), “as festas eram os actos mais vistosos”. E acrescentava: “As festas e convívios são só o lado mais visível do nosso trabalho. Nós conseguimos criar contactos importantes a vários níveis, reforçámos as nossas relações com a reitoria da Universidade do Minho, bem como com os SASUM e a AAUM, que por várias vezes nos apoiaram. Conseguimos um alargamento de vagas para a realização de exames na época especial; criámos relações privilegiadas com o Consulado de Cabo Verde, que hoje nos tem como um exemplo no que respeita ao associativismo dos estudantes cabo-verdianos. Estabelecemos um protocolo informal com a AAUM que nos permitiu algum apoio a nível logístico e legal (relativamente ao número de contribuinte e à conta bancária); criámos um arquivo jornalístico que permite aos estudantes estarem a par da actualidade do nosso país de origem”.
Depois de um mandato de Arlindo Tavares considerado excelente, especulava-se que não ia aparecer um sucessor à altura, pois ninguém queria tamanha responsabilidade.

Em 2005 houve uma nova lista, liderada por Zilmar Lopes, aluno de Direito na UM, que concorreu sem oposição e foi eleito o novo presidente da associação. “A direcção de Zilmar Lopes fez o que lhe competia. Trabalhou para honrar a posição que tinha na AECUM. Mas a falta de coordenação do grupo, as estratégias para economizar, o fracasso na angariação de fundos levaram ao colapso financeiro da associação, que anteriormente estava numa situação económica invejável”, afirma uma fonte que preferiu não se identtificar.
O maior problema a partir daí foi encontrar um sucessor. Apareceram duas listas dispostas a tomar o rumo e guiar a AECUM, mas nunca se chegou a realizar uma Assembleia-geral para marcar uma data para as eleições do sucessor de Zilmar Lopes. Os antigos membros da AECUM responsabilizam os novos alunos que têm chegado à academia minhota pela falta de iniciativa e responsabilidade. Sem alguém que queira ser presidente, não há associação, pelo menos no activo. Desde o ano de 2006 que a AECUM se encontra paralisada e estagnada.

Actualmente, são muitos os que tentam erguer de novo este organismo, mas a reactivação da associação não tem passado do papel e está sem um reinício à vista.

As dificuldades e os bons momentos da integração dos alunos PALOP

A vida dos alunos PALOP nem sempre é fácil. No inicio as dificuldades são muitas e as saudades de casa apertam, mas no fim o balanço é positivo.
É o que podemos ouvir na entrevista que se segue com o testemunho de dois alunos
da Universidade do Minho.




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A situação dos alunos PALOP sob de vista da professora Rosa Cabecinhas

" A integração dos alunos PALOP tem vindo a melhorar nos últimos anos, no entanto ainda há muitas coisas a fazer neste campo", referiu a professora.





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Som de fundo

Divertimento

Entrevista com o Presidente da AAUM, Pedro Soares

Tendo em vista analisar os apoios prestados pela AAUM (Associação Académica da Universidade do Minho) confrontamos o Presidente da associação, Pedro Soares com as perguntas que os estudantes gostariam de ver respondidas.





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